Há negócios que nascem de um plano.

 

Há negócios que começam depois de meses de estudo, investimento, estratégia, equipamentos novos e contas cuidadosamente feitas.

 

A Mand’Alma não nasceu assim.

 

Nasceu numa altura em que eu precisava de encontrar uma solução.

 

Durante a pandemia de COVID-19, o meu gabinete de estética teve de fechar. De repente, aquela fonte de rendimento deixou de existir.

 

E eu não tinha um grande fundo de emergência preparado para me proteger.

 

Também não tinha dinheiro para investir num novo negócio.

 

Não tinha computador.

 

O meu telemóvel já era velho, estava partido e longe de ser aquilo que alguém escolheria para começar a criar conteúdo.

 

Mas ainda gravava.

 

E foi com aquilo que tinha que comecei.

 

As primeiras peças

 

Uma amiga ofereceu-me um curso para aprender a pintar mandalas.

 

Comecei então por pintar mandalas à mão em pedra e em MDF.

 

Não existia uma estratégia de negócio muito elaborada.

 

Não havia um grande lançamento.

 

Não tinha milhares de seguidores à espera dos meus produtos.

 

As minhas primeiras clientes foram as minhas próprias amigas.

 

Foram elas que compraram as primeiras mandalas que pintei.

 

Pode parecer uma coisa pequena.

 

Mas, quando estás a começar, a primeira pessoa que decide pagar por algo que criaste mostra-te uma coisa muito importante:

 

aquilo que sabes fazer pode ter valor para outra pessoa.

 

E foi assim que começou.

 

Sem condições perfeitas.

 

Sem grande investimento.

 

Sem equipamento profissional.

 

Mas com vontade de fazer acontecer.

 

Até que apareceu uma flor em gesso perfumado

 

Algum tempo depois, fui com uma amiga a uma loja de decoração na Nazaré, a Casa Cláudia.

 

Foi lá que comprei uma flor em gesso perfumado da Matilde M.

 

E apaixonei-me por aquela peça.

 

Olhei para ela e pensei:

 

“Eu quero aprender a fazer isto.”

 

Voltei para casa cheia de curiosidade.

 

Queria perceber que material era aquele.

 

Como se fazia.

 

Como se colocava o aroma.

 

Que moldes eram utilizados.

 

Que produtos precisava de comprar.

 

Comecei a pesquisar tudo o que conseguia encontrar.

 

E foi assim que entrei no mundo do gesso perfumado.

 

Só que havia um problema.

 

Eu ainda não sabia exatamente o que estava a fazer.

 

Algumas das primeiras experiências correram mal

 

No início, não comecei com os produtos certos.

 

Não conhecia suficientemente bem os materiais.

 

E isso trouxe-me alguns problemas.

 

Houve peças que partiam demasiado facilmente.

 

Outras que, passado algum tempo, começaram a ficar húmidas.

 

Algumas acabavam por desenvolver um aroma estranho.

 

E eu cheguei a vender alguns desses produtos.

 

Hoje consigo olhar para trás e perceber claramente que a qualidade ainda não estava onde deveria estar.

 

Na altura foi difícil.

 

Cheguei inclusivamente a perder oportunidades de negócio muito boas por causa disso.

 

E aqui poderia ter acabado a história.

 

Podia ter pensado:

 

“Não tenho jeito para isto.”

 

Podia ter desistido.

 

Podia ter procurado outra coisa.

 

Mas fiz exatamente o contrário.

 

Continuei a tentar

 

Pesquisei mais.

 

Experimentei materiais diferentes.

 

Fiz novos testes.

 

Fiz workshops.

 

Fiz cursos.

 

Uns foram excelentes.

 

Outros nem por isso.

 

Aprendi técnicas que ainda hoje utilizo e também aprendi aquilo que não queria fazer.

 

Cometi erros.

 

Desperdicei materiais.

 

Fiz peças que ficaram lindas.

 

Fiz outras que ficaram péssimas.

 

Algumas experiências correram tão mal que a única coisa possível era começar novamente. 😂

 

Mas continuei.

 

E foi precisamente essa insistência que fez a diferença.

 

Porque hoje percebo uma coisa que, naquela altura, ainda não entendia:

 

resiliência não é continuar a fazer a mesma coisa até resultar.

 

Resiliência é continuar enquanto aprendemos a fazer melhor.

 

Uma peça bonita não chega

 

Uma das maiores aprendizagens que tive foi perceber que conseguir fazer uma peça bonita não significa automaticamente que temos um bom produto.

 

Um produto precisa de resistir.

 

Precisa de manter a qualidade.

 

Precisa de ser seguro e adequado à sua utilização.

 

Precisa de chegar bem às mãos do cliente.

 

Precisa de continuar bonito depois da fotografia.

 

E isso exige aprendizagem.

 

Hoje sou muito mais exigente com os materiais que utilizo, com os testes que faço e com aquilo que coloco à venda.

 

Mas não comecei assim.

 

Aprendi.

 

E continuo a aprender.

 

Todos os dias descubro novas técnicas, novos materiais, novas formas de melhorar produtos e novas ideias para criar.

 

E espero nunca perder essa curiosidade.

 

Não é preciso começar grande

 

Às vezes olhamos para determinadas marcas nas redes sociais e vemos apenas o resultado.

 

As fotografias bonitas.

 

Os milhares de seguidores.

 

As embalagens perfeitas.

 

Os sites profissionais.

 

Os cursos.

 

As encomendas.

 

Aquilo que não vemos são os primeiros produtos.

 

As experiências falhadas.

 

As fotografias mal iluminadas.

 

Os materiais comprados por engano.

 

As primeiras vendas feitas a amigos.

 

Os telemóveis partidos.

 

As dúvidas.

 

Os dias em que nada parece resultar.

 

O início raramente é bonito.

 

Mas isso não significa que não possa levar a algum lugar extraordinário.

 

A Mand’Alma também não começou como aquilo que é hoje.

 

E aquilo que é hoje ainda não é aquilo que eu quero que venha a ser.

 

Continuo a crescer.

 

Continuo a aprender.

 

Continuo a testar.

 

Continuo a definir novos objetivos.

 

E talvez essa seja uma das partes mais bonitas de construir um negócio:

 

nunca está verdadeiramente acabado.

 

Não esperes pelas condições perfeitas

 

Se tens uma ideia há meses ou anos e continuas à espera do momento certo, talvez este seja o sinal de que precisas.

 

Talvez ainda não tenhas o equipamento que gostarias.

 

Talvez ainda não tenhas muito dinheiro para investir.

 

Talvez a tua página tenha poucos seguidores.

 

Talvez ainda tenhas muito para aprender.

 

Tudo isso pode ser verdade.

 

Mas não significa que não possas começar.

 

Começa pequeno.

 

Começa com o que tens.

 

Aprende.

 

Testa.

 

Erra.

 

Corrige.

 

Melhora.

 

E continua.

 

Não te estou a dizer que vai ser fácil.

 

Também não te estou a dizer que tudo aquilo que fizeres vai resultar.

 

Não resulta.

 

Eu sou a primeira a admitir isso.

 

Mas existem coisas que só descobres depois de começares.

 

A Mand’Alma nasceu de uma altura difícil da minha vida.

 

Hoje, quando olho para trás, percebo que uma porta que se fechou me obrigou a procurar outra.

 

E uma mandala pintada à mão acabou por conduzir-me até uma flor em gesso perfumado.

 

Essa flor levou-me a pesquisar.

 

A pesquisa levou-me a experimentar.

 

Os erros obrigaram-me a aprender.

 

E a aprendizagem continua até hoje.

 

Talvez um negócio sustentável não comece com uma grande oportunidade.

 

Talvez comece simplesmente com a decisão de não desistires de ti.

 

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Estou neste momento a escrever Negócio com Alma, um livro sobre aquilo que tenho aprendido neste caminho: criar, errar, melhorar, vender, construir uma marca e transformar um talento numa verdadeira fonte de rendimento.

 

Não o estou a escrever do topo da montanha.

 

Ainda estou a subir.

 

E talvez seja precisamente isso que torne esta história tão real.

 

Se este texto ressoou contigo, ou se conheces alguém que está neste momento quase a desistir do sonho de criar um negócio sustentável e construir a sua própria marca, partilha este artigo com essa pessoa.

 

Às vezes, aquilo de que precisamos para continuar é apenas perceber que alguém também começou sem ter tudo preparado.

 

E começou na mesma.

 

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